quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mensagem na garrafa: uma surpresa numa noite cansada da vida

Voltava da escola pública que trabalhava no turno da noite. O clima interior era de derrotismo e de descrença com tudo ao redor. Entrei no transporte público com destino à minha casa quando vi um papel depositado com cuidado ao lado do banco que eu estava sentada: uma folha de caderno, cuidadosamente dobrada e com uma caligrafia refinada. Abri o papel e comecei a leitura. A surpresa foi a mesma de quem encontra uma mensagem dentro de uma garrafa que bóia num mar de incertezas. A mensagem chama-se: Motivação para o seu dia.
Fiz a leitura ainda na pouca luz do transporte público, mas quando voltei para casa reli muitas vezes e considerei aquele papel como um achado importante de estímulo e de renovação de esperanças.
Hoje trago para vocês a mesma mensagem que achei 3 anos atrás, espero que lhes traga ânima.
MOTIVAÇÃO PARA O SEU DIA
“Hoje acorde para vencer”. A automensagem positiva logo pela manhã é um estímulo que pode mudar seu humor, fortalecer sua autoconfiança e pensando positivamente, você reunirá forças para vencer os obstáculos. Não deixe que nada afete seu estado de espírito; Envolva-se pela música, cante ou ouça.Comece a sorrir mais cedo; ao invés de reclamar quando o relógio despertar, agradeça a Deus pela oportunidade de acordar mais um dia; O bom humor é contagiante: espalhe-o. Fale coisas boas, de saúde, de sonhos com quem você encontrar. Não se lamente, ajude as outras pessoas a perceber o que há de bom dentro de si; Não viva emoções mornas ou vazias. Cultive seu interior, extraia o máximo de pequenas coisas. Seja transparente e deixe que as pessoas saibam que você as estima e precisa delas. Repense seus valores e dê a si mesmo a chance de crescer e ser mais feliz. Tudo que merece ser feito, merece ser bem feito. Torne suas obrigações atraentes, tenha garra e determinação. Mude, opine, ame o que você faz. Não trabalhe só por dinheiro e sim pela satisfação da “missão cumprida”. Lembre-se nem todos têm a mesma oportunidade. Pense no melhor, trabalhe pelo melhor e espere o melhor. Transforme seus momentos difíceis em oportunidade. Seja criativo (a) buscando alternativas ao invés de problemas, veja o lado positivo das coisas e assim você tornará seu otimismo uma realidade; Não inveje. Admire! Seja entusiasta com o sucesso alheio como seria com o seu próprio. Idealize uma competência e faça auto-avaliação para saber o que está lhe faltando para chegar lá; ocupe seu tempo crescendo, desenvolvendo sua habilidade e seu talento. Só assim não terá tempo para criticar os outros. Não acumule fracassos e sim experiências. Tire proveito de seus problemas e não se deixe abater por eles. Tenha fé e energia, acredite. Você pode tudo o que quiser; Perdoe, seja grande para os aborrecimentos, pobre para a raiva, forte para vencer o medo e feliz para permitir a presença de momentos infelizes. Não viva só para o seu trabalho. Tenha outras atividades paralelas como: esportes, leitura, cultive os amigos. O trabalho é uma contribuição que damos para a vida, mas não se deve jogar nele todas as nossas expectativas de realizações; Finalmente ria das coisas à sua volta, ria de seus problemas, de seus erros, ria da vida. “A gente começa a ser feliz quando somos capazes de rir da gente mesmo”
Que Deus lhe abençoe, hoje e sempre...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Le Petit Prince


O ano era 1990, eu tinha quase 13 anos de idade, mas me considerava mais adolescente do que as outras adolescentes que eu conhecia. E procurava ler mais do que elas, o que na época pareceu um pedantismo intelectualista.
Era uma boa leitora, no ano anterior tinha recebido um prêmio na disciplina de Língua Portuguesa por uma resenha do livro A volta ao mundo em 80 dias, do Júlio Verne. Mas naquela nova série estava preocupada com outros tipos de leitura. Foi quando as colegas de sala invadiram minha casa para falar da novidade: haveria um novo concurso de resenhas, e a professora de Língua Portuguesa havia me escolhido para concorrer em nome da minha turma.
A vaidade era enorme, por dentro me sentia com 10 pernas, mas quando as colegas falaram qual o título do livro, de imediato perdi o interesse.
O título original é Le Petit Prince, do escritor Antoine de Saint-Exupéry. Aquele livro não me parecia um livro adequado para uma adolescente e rejeitei o projeto com todo o drama que acompanha esta idade. Entretanto não havia escolha, a turma necessitava da minha resenha para acumular pontos na gincana escolar; eu tinha que fazê-la.
Comecei lendo de cara amarrada, com jeito de quem fazia algo muito contra a sua vontade, mas foi aí que o encanto da obra fez efeito sobre mim e aos poucos, aquela história tinha me cativado tanto que eu me tornei responsável por divulgá-la na forma de uma resenha literária.
Quase 20 anos depois me matriculo como aluna regular de Língua Francesa e como presente recebo na minha caixa de e-mail Le Petit Prince, na versão francesa. O texto ainda é desconhecido, mas as ilustrações são as mesmas. Vê-las me transportou para um tempo no qual acreditava que não havia espaço no mundo para a pureza e ingenuidade, hoje sinto que o mundo tem necessidade do que é puro e belo e eu me percebo ainda como leitora ávida e aberta para apreender as sempre atuais lições do pequeno príncipe, nem que seja pra acrescentar algo de bom no mundo que é meu.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

América Lat(r)ina

Por meses relutei em escrever sobre a profunda crise do regime democrático na América Lat(r)ina.
As reflexões surgiram um ano atrás quando tive contato com a obra de Anthony Giddens, Mundo em descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. Neste livro de leitura breve, Giddens reafirma o poder da democracia e seu caráter revolucionário nas últimas décadas do século XX, mas também aponta o desencanto que as democracias modernas provocam em todas as nações ocidentais.
Basta citar a porção sul do continente americano para ver que maus exemplos não faltam: da Venezuela, passando pela Bolívia e chegando ao Brasil, o que temos presenciado é uma derrocada dos regimes ditos democráticos, que utilizam-se do povo (o mesmo que Rousseau afirmava que dele emanava a soberania) para legitimar práticas de permanência no poder, utilizando-se de instrumentos populares de votação, como o plebiscito, na manipulação das massas e obtenção de resultados.
Eu tenho algumas questões, gostaria de respostas:
O que pensar de um Senado que tem como presidente alguém mergulhado em escândalos de corrupção? O que esperar de uma instituição que é representada por um conselho de etica (e aqui me atrevo a escrever com letra minúscula) que decide pela não cassação de um deputado encastelado? Como acreditar num partido que pede o afastamento do presidente do senado pela manhã, mas depois do chá da tarde muda de ideia?
América Lat(r)ina, realmente a coisa pública por aqui fede, e como o mau cheiro se espalha na fórmula de suas moléculas, os odores já chegaram mais ao centro e infectaram Honduras. E onde vamos parar? Apenas democratizando a democracia estaremos livres da praga da corrupção e do velho, mas sempre atual, voto de cabresto, que são as mazelas que alimentam a podridão de democracias falhas, limitadas e de fantasia, como a nossa.

Obrigatoriedade do diploma de jornalista: senador sergipano lança emenda.


01/07/2009 - 19h42
Senador apresenta projeto que torna obrigatória exigência de diploma para jornalista
Da Agência Senado
O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou, nesta quarta-feira (1º), proposta de emenda à Constituição (PEC) que vincula, obrigatoriamente, o exercício da profissão de jornalista aos portadores de diploma do curso superior de jornalismo. A PEC tem como objetivo superar o impasse provocado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no mês passado, declarou nula a exigência do diploma prevista no decreto-lei 972, de 17 de outubro de 1969.
Leia mais sobre o caso
PEC, entretanto, apresenta duas ressalvas, ao permitir que colaboradores possam publicar artigos ou textos semelhantes e os jornalistas provisionados continuem atuando, desde que com registro regular. Os jornalistas provisionados com registro regular são aqueles que exerciam a profissão até a edição do decreto.O decreto-lei permitiu, ainda, que, por prazo indeterminado, as empresas pudessem preencher um terço de suas novas contratações com profissionais sem diploma. Conforme a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), esses jornalistas provisionados possuem registro temporário para trabalhar em um determinado município. O registro deve ser renovado a cada três anos. E essa renovação só é possível para as cidades onde não haja nenhum jornalista interessado na vaga existente nem curso superior de jornalismo."Uma consequência óbvia da não obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão seria a rápida desqualificação do corpo de profissionais da imprensa do país. Empresas jornalísticas de fundo de quintal poderiam proliferar contratando, a preço de banana, qualquer um que se declare como jornalista. Era assim no passado, e resquícios desse período ainda atormentam a classe jornalística de tempos em tempos", argumenta o parlamentar sergipano, na justificação do seu projeto.Conforme o senador, a principal atividade desenvolvida por um jornalista, no sentido estrito do termo, é "a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação". Daí a exigência de formação e profissionalismo.O senador rebateu, nesta quarta, as críticas dos que acham que a PEC é uma "confrontação ao Supremo", já que este teria tentado preservar a cláusula pétrea do texto constitucional que se refere à garantia da liberdade de expressão. Segundo Valadares, a exigência do diploma diz respeito não à liberdade de expressão, mas à qualificação indispensável para uma atividade profissional que interfere diretamente, e de forma ampla, no funcionamento da sociedade.O parlamentar assinalou, também, que a existência da figura do colaborador em todas as redações é uma prova de que a liberdade de expressão não está sendo tolhida. Exemplos disso são médicos, advogados e outros profissionais que escrevem textos técnicos sobre os campos onde atuam. E poderão continuar a fazê-lo, caso a PEC seja aprovada.
Postado no site da UOL. Consulta em 01 de julho de 2009.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Muito mais do que um diploma em jogo

A decisão do STF em abolir a obrigatoriedade do diploma de jornalista deixou muitos profissionais da área, professores formadores e diretores de curso de comunicação social surpresos e decepcionados com a arbitrária decisão.
Nos últimos quarenta anos houve importantes avanços na profissionalização da função de jornalista, garantindo mais ética no exercício do ofício e uma formação ampla e voltada para aprimorar as competências e habilidades que esta profissão exige.
A partir do momento que uma categoria inteira é desobrigada de ter o seu direito de profissionalização e formação superior, acontece a abertura para o amadorismo e a falta de uma compreensão sobre os principais aspectos sócio-culturais e políticos-econômicos, além da ausência de um entendimento profundo dos contextos que formam o ser Brasil.
Enquanto professora formadora de profissionais da comunicação social na Universidade Potiguar, lamento a posição da Corte do Brasil e entendo que a nossa prática educativa é de fato essencial e contribui sobremaneira na consolidação de um jornalismo ético e responsável.
A hora é de reflexão, mas sobretudo de ação. Não podemos deixar que o jornalismo brasileiro desapareça no meio de uma imprensa marrom e pouco comprometida socialmente falando.
Aguardaremos a próxima categoria que será alvo indefeso de ministros preocupados com o presente e esquecidos de um futuro em construção. É preciso lembrar que existe muito mais do que um diploma em jogo.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Mito, religião e ideologia


A ideologia está presente em todas as sociedades humanas, inclusive nas ditas sociedades primitivas, nestas a religião funciona como “cimento social”, expressando, por meio dos seus ritos e mitos, as necessidades humanas no âmbito social ou individual.
As religiões primitivas se prendem ao real e o representam através de um “vasto simbolismo”. O totemismo é uma destas representações imaginárias, presente nas sociedades sem classes. Dentro desta religião primitiva, existe a escolha de um totem (na maioria das vezes animal ou vegetal) que simboliza o clã. A adoração do totem e de tudo que esteja relacionado ao mesmo cria uma série de regras que direcionam a vida do grupo. O totemismo semeia entre os homens e mulheres o conformismo moral a partir da lógica social que é passada como algo já dado, construído fora do tempo histórico. Isto é possível pelo fato da realidade social ser tão sagrada quanto à divindade adorada pelo clã.
Podemos classificar a religião como uma forma de ideologia, pois ela impõe regras e proibições, apresentando-se como representação da consciência coletiva, como poder constituído.
A partir dos mitos, a religião afasta do âmbito humano, a origem de tudo o que existe, com as cosmogonias e os mitos de criação. Nas religiões primitivas, a adoração do totem transforma a realidade humana em algo sagrado, logo, todo aquele que transgride as regras e interditos do totem, também agride ao grupo, sendo necessária uma punição exemplar para que o mesmo não promova a desagregação social.
É quando age a ideologia, o mito esconde a origem daquilo que é construção social, produção humana. A ideologia só se torna possível pela existência de representações que compõem o imaginário social. Ou seja, pela via do simbólico ocorre a naturalização da ordem social humana. O imaginário tem a força que mantêm o monopólio da dominação.
Nas sociedades primitivas, observamos os ritos de instituição pelos quais a cultura ensina o indivíduo a aceitar a sujeição. Este dominado, é convertido pelo imaginário em cúmplice de sua própria dominação.
Podemos citar como exemplo os Baruya da Nova Guiné. Esta sociedade desenvolveu entre os homens uma forma de dominação expressa pelo conhecimento de uma língua sagrada, ensinada aos meninos, porém vetada ao gênero feminino. Esta linguagem secreta legitima a supremacia dos homens dentro deste grupo social.
O poder que esta língua cifrada confere aos homens e meninos Baruya não é um bem, algo palpável, é a relação de sujeição, de dominação caracterizada por saberes, técnicas próprias do grupo masculino, e interditos para todas as mulheres.
Segundo o professor Alípio de Sousa Filho, a ideologia seria o discurso do poder, porque visa ocultar o caráter de dominação, oferecendo uma falsa idéia de harmonia dentro do grupo social. Os mitos e a religião legitimam as convenções sociais.
Concluindo, os mitos são os padrões das representações sociais. É no mito que a ideologia se apresenta pela primeira vez, utilizando-se do simbólico. O simbolismo é meio pelo qual as sociedades humanas tornam suas instituições algo concreto na vida social.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sistema de castas continua em funcionamento nas localidades pobres da Índia, sendo a quebra de tabus punida com a morte.


REUTERS - 11.02.2009 09:18
Parentes do noivo decapitados após casamento proibido na Índia
PATNA, Índia (Reuters) - Oito membros da família de um homem pobre foram mortos e decapitados e seus corpos, jogados em um rio no leste da Índia, depois que ele se casou secretamente com uma moça rica, informou a polícia na quarta-feira.
A polícia do Estado de Bihar encontrou os oito corpos boiando no rio e acusou 15 pessoas, maioria delas da família da noiva.
Os assassinatos, cometidos no fim de semana, aconteceram depois que Ratan Mandal, de 21 anos, fugiu de casa e se casou secretamente com Kanchan Kumari, 18, pois suas famílias jamais aprovariam o relacionamento devido a uma antiga rixa social.
"A família da moça convidou a família do rapaz para um encontro, com o pretexto de dar um fim à disputa, mas matou todos os oito e os decapitou", disse Raghunath Prasad Singh, importante autoridade policial de Bhagalput, onde ocorreu o incidente.
Bhagalput, uma das região mais sem lei da Índia, é conhecida pelos assassinatos por vingança e em defesa da honra.
Homens e mulheres ainda são mortos nos vilarejos do leste e do norte da Índia por ousarem se casar com pessoas de castas diferentes.
Em maio do ano passado, um jovem casal foi assassinado pela família da moça, no norte da Índia, porque eles se casaram e pertenciam ao mesmo vilarejo. Casar com alguém da mesma vila é considerado tabu em muitas comunidades indianas

Dia de Reis e os sentidos desse evento para nossa história

 Dia de Reis Magos e os sentidos desse evento para nossa história Está escrito no Evangelho de Mateus, 2:1, (...) eis que magos vieram do Or...