domingo, 22 de abril de 2018

O pensamento clássico


O PENSAMENTO CLÁSSICO
Esquema explicativo produzido por Professora Doutora Andreia Mendes
1- Introdução
·         Apogeu da filosofia clássica no século V a. C.
·         Interesse pela vida política e social.
·         Valorização do conhecimento.
 2- Democracia ateniense

·         Apogeu das cidades-estados.
·         Atenas: transição da monarquia para a aristocracia.
·         Reformas de Drácon, Sólon e Clístenes.
·         Princípio de isonomia: todos os cidadãos são iguais perante às leis.
·         Péricles (499-429): Era de Ouro de Atenas.
·         Democracia direta: direito ao voto e à palavra.
·         Modelo democrático excludente: mulheres, escravos e estrangeiros.
·         Ágora: local de discussão e das assembleias.
·         Valorização do uso da palavra e da razão.
·         Desenvolvimento de habilidades argumentativas e dialéticas.
3- Sofistas e a retórica
·         Professores viajantes.
·         Vendiam seus ensinamentos.
·         Método de ensino: exposição ou monólogo
·         Aulas de eloquência e sagacidade mental.
·         Sofistas: “grande mestre”, “super sábios”.
·         Doutrinas divergentes.
4- Sofisma
·         Transmissão de jogos de palavras, raciocínios e concepções.
·         Concepções filosóficas relativistas.
·         Verdade como algo relativo ao indivíduo e sua história
·         Termo sofista como enganador, impostor, manipulador
·         Compreensão flexível.
  5- Protágoras de Abdera

·         “O homem é a medida de todas as coisas”.
·         O mundo é como os seres humanos o interpretam.
·         Criticado pelo subjetivismo do seu pensamento.
6- Górgias de Leontini

·         Grande orador.
·         Ceticismo absoluto: “O ser não existe”.
·         Seu pensamento é considerado niilista.
·         Não havia uma verdade absoluta, apenas a ilusão gerada pelos sentidos.

7- Sócrates e a Dialética

·         Marco divisor da filosofia grega.
·         Não deixou nada escrito.
·         Filho de um escultor e de uma parteira.
·         União da vida concreta ao pensamento: saber-fazer.
·         Consciência intelectual à consciência prática moral.
·         Concentração no problema do ser humano.
·         O que é o ser humano? Alma dotada de razão. Eu consciente.
·         “Conhece-te a ti mesmo”: entrada do Oráculo de Delfos.
·         Filosofia baseada no diálogo crítico: dialética.
·         Refutação ou ironia: perguntas para evidenciar as contradições.
·         Maiêutica: novas questões para concepção ou reconstrução das ideias.
·         Acusado de corromper a juventude e desrespeitar os deuses: execução por envenenamento.
8- Platão

·         Nome real: Arístocles.
·         Platão: Apelido para “ombros largos”.
·         Discípulo de Sócrates.
·         Academia: escola filosófica.
·         Pensamento vasto e influente.
·         Criação do dualismo platônico.
·         Problema da permanência e mudança/ unidade e multiplicidade.
·         Teoria das ideias: ontologia dualista.
·         Mundo sensível: matéria, coisas, temporariedade.
·         Mundo inteligível: ideias, imutabilidade.
·         O ser verdadeiro é transcendente e separado do mundo.
9- Cosmogênese de Platão

·         Demiurgo (princípio gerador), ideias eternas, matéria indeterminada.
·         Teoria do conhecimento: passagem do mundo sensível para o mundo das ideias.
·         Sombras e aparências versus essências ou seres verdadeiros.
10- Método dialético
·         Impressões e sensações: opinião (doxa).
·         Passagem da filodoxia (amor pela opinião) para a filosofia (amor pela sabedoria).
·         Conhecimento deve penetrar na esfera racional da sabedoria (mundo das ideias).
·         Contraposição de uma opinião à crítica dela.
·         Concepção gnosiológica inatista: recordação das verdades eternas e imutáveis.
·         Imagem do passado: reminiscência da alma. 


11- Reis-filósofos
·         Doutrina política de Platão.
·         Filósofos com condições de libertar as pessoas da ilusão e atingir o mundo luminoso da realidade e sabedoria
·         Sociedade ideal governada por reis-filósofos.
·         Ideia do bem.
12- Aristóteles

·         Discípulo de Platão por 20 anos.
·         Professor de Alexandre da Macedônia.
·         Liceu: escola filosófica.
·         Biologia: observação e classificação dos seres vivos.
·         Desenvolvimento da lógica como ferramenta de raciocínio
  13- Método indutivo
·         Finalidade das ciências: desvendar a constituição essencial dos seres, compreender o universal e criar relações entre o particular para o geral.
·         Multiplicidade dos seres percebidos pelos sentidos.
·         Rejeição da teoria das ideias.
·         Ciência como partida da realidade sensorial empírica.
·         Indução: processo intelectual básico.
·         Alcance de conclusões científicas, conceituais de âmbito universal.
  14- Hilemorfismo teleológico
·         Hylé= matéria.
·         Morphé = forma.
·         Teoria da realidade.
·         Natureza: ciclos constantes e regulares.
·         Organismos: todo orgânico, coordenado e coeso.
·         O inteligível opera dentro das coisas.
 15- Matéria e forma
·         Sensível e inteligível unidos.
·         Análise ontológica para identificação e separação.
·         O ser verdadeiro é imanente
·         Matéria: princípio indeterminado.
·         Forma: princípio determinado.
·         A forma faz os seres como são.
·         A forma muda, mas a matéria permanece
·         A forma é a ideia (Platão).
16- Potência e ato
·         Problema da permanência e da mudança.
·         Ato: aquilo que o ser já é (manifestação atual).
·         Potência: possibilidades do ser vir a ser.
·         Explicação da mudança no mundo, o movimento e a transitoriedade das coisas.
·         Paralelismo entre matéria e forma, potência e ato.
  17- Substância e acidente
·         Substancial: atributo estrutural e essencial do ser,
·         Acidental: atributo circunstancial e não essencial
·         Ser natural: mudança por princípio interno (intrínseco).
·         Ser artificial: mudança por princípio externo (extrínseco).
  18- Quatro causas dos seres
·         Causa material: matéria (mármore).
·         Causa formal: forma (estátua).
·         Causa eficiente: agente de transformação (escultor).
·         Causa final: objetivo (decoração, homenagem).
  19- Mundo finalista e primeiro motor
·         Vida animal e vegetal: expressão da sua finalidade.
·         Causa final: mais importante.
·         Primeiro motor: Origem do mundo, sendo eterno, movimento sem começo nem fim.
·         Tudo o que se move deve ter sido colocado em movimento por um agente motor.
·         Doutrina do 1º motor ou motor imóvel: causa primeira de todo o movimento.
·         Atração: todas as coisas tendem àquilo que é bom, belo e inteligente.
·         1º motor: ato puro e perfeito> causa final do mundo.
·         Concepção de mundo teleológica: primazia da causa final.
20- Ética do meio-termo
·         Ser humano enquanto ser racional.
·         Atividade da razão (ato de pensar): essência humana.
·         Felicidade: viver de acordo com a racionalidade, consciência reflexiva, conduzindo-se para prática da virtude.
·         Virtude: meio-termo: justa medida de equilíbrio entre o excesso e a falta de atributo.



Referência bibliográfica:
COTRIM, Gilberto. Fernandes, Mirna. Fundamentos da filosofia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

domingo, 9 de outubro de 2016

O CAMINHANTE PELA PAZ

O século XX foi marcado pela vida e obra de vários expoentes da civilização humana, sejam eles cientistas, estadistas, escritores ou homens e mulheres comuns que fizeram algo de extraordinário pela sociedade. Entretanto, nenhum deles viveu tão intensamente o esforço pela paz do que Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como “grande alma” ou Mahatma Gandhi.
Gandhi entrou para a história como um grande pacifista e líder religioso, pregando o princípio do Satyagraha, um caminho de busca da verdade, baseado na não-violência e não-agressão. Segundo Gandhi: “A minha vida é um todo indivisível, e todos os meus atos convergem uns nos outros; e todos eles nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade”.
Para entender melhor a sua trajetória, precisamos do auxílio da História para compreender os contextos que o mesmo viveu e atuou. Nascido na Índia em 1869, parte do domínio britânico, Gandhi cursou direito em Londres e após formado, aceitou um emprego de advogado na África do Sul. Foi justamente a partir dessa experiência que ele percebeu o quanto a desigualdade e injustiça afetavam a vida dos hindus. A África do Sul foi então seu primeiro laboratório na luta pelo reconhecimento de direitos de uma minoria em um país estrangeiro.
Anos depois, retornou para a Índia e se envolveu com as tensões religiosas entre hindus e muçulmanos. O conflito entre o politeísmo e o monoteísmo islâmico já havia feito muitas vítimas e Gandhi pensava em uma maneira de encontrar a harmonia na convivência entre os dois grupos. Assim, no ano de 1914, criou então sua primeira campanha pela paz para apaziguar os dois lados.

Porém, enquanto eclodiram conflitos religiosos em todo o país, o Império Britânico aumentou os tributos e taxações, prejudicando a vida dos mais pobres. Diante do cenário político, Gandhi decidiu colocar em prática seu plano de resistência ao domínio dos ingleses, fortalecido pelo princípio do Satyagraha e defendendo formas de resistências pacíficas contra o controle colonialista como greves, passeatas, jejuns e retiros espirituais, pois como afirmou o próprio Mahatma: “Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio”.
A postura de Gandhi e de seus seguidores foi atacada duramente pelas autoridades britânicas e o mesmo foi preso diversas vezes durante seus protestos pacifistas, mesmo assim, estava disposto a dar sua vida pela justiça, igualdade e paz. Em suas reflexões afirmou que: “Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe outro modo de purificar o mundo”.
A ação refletida de Gandhi mostrou que sua práxis foi alicerçada em diferentes conhecimentos oriundos de diversas tradições, desde o Bragavad-Gita, o Evangelho de Jesus Cristo e o Alcorão. Mahatma também estudou Thoreau para aplicar o conceito de Desobediência Civil em sua luta pela justiça e paz. Sendo considerado o fundador da Índia moderna, sua influência inspirou grandes líderes como Martin Luther King na luta com o racismo nos Estados Unidos da América e Nelson Mandela, líder sul-africano que lutou bravamente contra o sistema do Apartheid em seu país.

As lições que Gandhi nos reserva nos dias atuais são muitas, desde o amor universal, o perdão, a busca pela paz e justiça entre os povos. Ele fez da sua vida um exemplo de amor e de pacificidade para com os inimigos, pois segundo Mahatma: “Não existe caminho para a paz, a paz é o caminho”. Imbuídos de sua inspiração, preguemos sempre a harmonia, na certeza de que os brandos e pacíficos agradam ao Mestre Jesus que nos pede acima de tudo para amar ao próximo como a nós mesmos, mesmo o próximo sendo nosso ofensor.

Muita paz.

Referências bibliográficas:
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Capítulos IX, XI, XII.
LELYVELD, Joseph. Mahatma Gandhi e sua luta com a Índia. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
Mahatma Gandhi. A única revolução possível é dentro de nós. E-book. Disponível em: http://www.elivros-gratis.net/baixar-livros-gratis.asp. Acesso em 02/09/2016.
MAOMÉ. O Alcorão. 9. ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2015.
SWAMI, Chandramukha. Bragavad Gita em poucas palavras. Rio de Janeiro: Santuário, 2011.
THOREAU, Henry David. A desobediência civil. Tradução: Sérgio Karam. Porto Alegre: L&PM,1997.

 Artigo publicado no Jornal O Seareiro, edição especial, setembro de 2016.



Que tipo de pai o mundo precisa?

Olá queridos e queridas, quanto tempo! 
Andei sumida mais uma vez.
Vou começar hoje compartilhando uma apresentação que fiz para o dia dos pais para a Seara Espírita Francisco de Assis. Produzi uma reflexão e apresentei para a plateia presente na reunião pública.
Espero que gostem. Boa leitura!

Que tipo de pai o mundo precisa?

É certo que desde que a sociedade humana se estabeleceu no planeta terra, muitos espíritos se reuniram em nome do afeto ou do acaso na tarefa de ser pai.
Ora, já nos dizia Divaldo Franco e Joanna de Ângelis que a paternidade é missão tão importante quanto a maternidade.
Assim, é preciso nos dias de hoje se inspirar em bons exemplos que nos mostrem o quanto pode-se ser um bom pai. O modelo então que mais influência nos deixou foi do pai de Jesus, o carpinteiro José. E todos os homens podem ainda nos dias de hoje seguir seu exemplo:

* Aceitar o filho tão diferente de si na carne e no espírito.







* Planejar o futuro, tendo em vista a segurança e desenvolvimento do filho.



* Ser afetuoso, ter tempo para brincar e sorrir ao lado do filho.






* Mostrar o valor da Lei de trabalho para que cresça responsável e comprometido.





* Orientar nos estudos e apoiar nas dificuldades.



* E quando chegar a hora de retornar para o plano espiritual, compreender que cumpriu sua missão criando homens e mulheres de bem.



Muita paz e alegria!
Andreia Regina

domingo, 15 de novembro de 2015

Comparando o mar com a lagoa

Recentemente ouvi o relato de uma conversa entre dois professores. Um deles olhou pro colega e disse: os alunos dessa escola nem se comparam com os alunos da escola particular, não é mesmo? O outro professor respondeu: não se comparam não!
Aparentemente é um discurso casual de professores que atuam nas redes pública e privada de ensino, mas o que me chamou atenção foi para o fato deles não refletirem que não há qualquer parâmetro de comparação entre as duas realidades.
 
Na antropologia aprendemos que cada cultura deve ser analisada dentro de seus contextos de formação, ou seja, culturas distintas são impossíveis de serem comparadas. A realidade da escola pública brasileira é algo à parte na realidade de formação da escola privada no Brasil, apesar da existência da segunda impactar grandemente o funcionamento da primeira. Na primeira, os espectros da pobreza e desigualdade social rondam cotidianamente as vidas e histórias de origens da sua comunidade escolar. Avaliar o desinteresse do aluno e sua desmotivação para os estudos pelo prisma do neoprodutivismo e individualismo é pura falácia, pois tanto a construção de nossa identidade quanto de nossa personalidade dependem de nossos processos de socialização e aprendizagem, e que todos sabem que não ocorrem exclusivamente dentro dos muros da escola.
 
Precisamos, enquanto educadores, desmistificar a visão preconceituosa e limitante que cerca nosso ofício na escola pública. Minha reflexão faz parte de novas compreensões que elaborei sobre o papel do professor na escola pública e só me chegou após cinco anos fora do espaço escolar da educação básica analisando teoricamente e de forma documental, o mar de problemáticas que envolve a educação pública brasileira numa perspectiva neoliberal.
Então colegas, precisamos examinar mais profundamente as relações e situações de aprendizagem que nossos alunos na rede pública têm acesso fora das salas de aula para compreender especificamente que é impossível comparar o mar com a lagoa.
Boa reflexão!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Brasil é o purgatório dos pardos


Hoje refleti sobre a invisibilidade dos pardos. Estava num centro médico em Petrópolis acompanhando meu pai para uma consulta no oftalmologista quando uma moça parda, vestindo um uniforme de empresa de terceirizados passou na nossa frente conduzindo um copo com água numa bandeja.
Cabeça erguida, mas andar vacilante, ela passou por nós e sequer nos notou. Eu que sou viciada em "bom dia" desde minha época de menor aprendiz no Banco do Brasil, tentei fazê-la olhar para nós e ela rapidamente se esquivou.
Eu não a ignoro, pois sempre que vejo um pardo em um espaço ele está ocupando uma função de assalariado. Nos restaurantes que frequento com meus sogros, as vezes sou a única parda sentada para uma refeição. Os demais estão na portaria, caixa, recepção, cozinha e atuando como babás ou garçons.
Um dos maiores estranhamentos que vivi foi em um restaurante no bairro de Ponta Negra: uma família entrou com uma babá, parda como eu, mas muito jovem. Enquanto a família almoçava tranquila, aquela moça cuidava do bebê e olhava comprido para o banquete que era servido, mas o qual ela não tinha sido convidada para aquele momento.
Não quero acusar a família de tê-la colocado numa situação de constrangimento, ela estava ali numa função de trabalho, não é mesmo? Quero só ilustrar minha preocupação com a invisibilidade que nos envolve diariamente.
Eu mesma já fui confundida como lojista, atendente de clínica, babá de meu irmão quando era pequenino e loiro, e garçonete de restaurante de beira de estrada.
O discurso de harmonia entre os grupos étnicos é pura falácia. Aqui ainda é o purgatório dos pardos.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O que representa um professor desarmado?

Sobre a truculência contra os professores do Paraná, li a trajetória política do governador Beto Richa. Interessante ver que ele ganhou a eleição para governador ainda no primeiro turno em 2010 e foi reeleito em primeiro turno também. Engenheiro de formação pela PUC, em pouco mais de 20 anos traçou uma trajetória na política desde a prefeitura Londrina (sendo considerado o melhor prefeito do Brasil segundo alguns institutos e o G1), até o governo do Estado.

Agora vem meus questionamentos:
O então governador reeleito pelo PSDB tem qual concepção do papel dos professores no seu estado?
Que exemplo a sua gestão está dando para a educação do país e do mundo?
A polícia cumpre qual papel quando espanca professores?
O que o partido PSDB acha de uma postura de violência física e violação dos direitos humanos como essa?
Lamentei profundamente o ocorrido e hoje entendo o fato das licenciaturas não serem mais carreiras almejadas por tantos brasileiros e brasileiras.


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